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Maria Inês.

por Inês Saraiva

Maria Inês.

por Inês Saraiva

Coimbra dos meus encantos.

E aprendes a dizer... Saudade!

 

Hoje o blogue da Maria Inês viajou até Coimbra. Há uns anos atrás Coimbra acolheu-me em si com muito amor. Do alto dos meus trinta anos posso seguramente dizer que ali vivi os melhores anos da minha vida.

Coimbra mostrou-me com todo o seu encanto o que era crescer no verdadeiro sentido da palavra. Quando escolhi Coimbra a minha avó disse-me uma frase, "Oh Coimbra dos doutores o que fizeste ao estudante que foi para lá inocente e saiu extravagante?!", na altura pareceu-me uma frase bonita, e lembro-me de pensar que até teria algum significado mas não estava a ver qual.

Mais tarde descobri!

Coimbra fez de mim mulher. Saí de casa dos meus pais dia 12 de Outubro de 2003, num domingo chuvoso, a minha noite não foi mais feliz! Primeiro estava sozinha numa casa que desconhecia por completo, numa cidade que apesar de falar a minha língua não era a minha cidade. Pensar no dia seguinte deixava-me ainda mais aterrorizada, chorei e voltei a chorar. Tudo era estranho...

No dia seguinte, saí de casa em direcção à faculdade, subi as monumentais e deparei-me com um cenário que me deixou apavorada, capas negras por todo o lado! Mal eu sabia que aquela seria a minha família...A minha família de Coimbra. 

E, no cimo das monumentais começou a minha grande aventura "Coimbra". 

Coimbra cresceu então em mim e eu cresci com Coimbra, tornei-me uma filha do Mondego. E ainda hoje afirmo que o sol em Coimbra é diferente do sol do resto do mundo.. Lembro-me de ti, Coimbra a refletir nas águas calmas do teu filho Mondego.

Lembro-me com amor de todas as noites que em ti vivi. Das noites em que era suposto beber só um café e um convivío que em ti nascia em qualquer canto chamava por nós. Do bater da velha Cabra, que tinha cara de mocho quando vista de canto.

Lembro-me das constipações que pareciam autênticas pneumonias, sem o carinho da mãe. O pó crescia como cogumelos, a roupa deixou-se de se dobrar sozinha nas gavetas e o arroz teimava em querer abraçar-se entre si e formar uma espécie de cimento branco.

Depois, as aulas, na tua faculdade velhinha com paredes carregadas de história, o azulejo com a velha raposa que dava sorte a quem lá metesse o pé antes de uma prova. Cada canto de ti contava uma história, e cada história nossa contava-te a ti.

Recordo-te com Saudade, até nos dias em que após exames de três horas as notícias nas gerais não eram as melhores e o que restava seria uma oral que poderia demorar um dia inteiro para ser feita... Mas nós aprendiamos contigo a ser fortes, a lutar até ao fim. Estiveste sempre lá..Fizeste de nós mulherzinhas e homenzinhos em corpo de meninos.

Chorámos tanto contigo, cantávamos..ah! E depois de um traçadinho no Pintos cantávamos até sem querer!

Éramos todos uma família, e, a nossa casa nunca era pequena para acolher os jantares de uma família tão grande. 

Agradeço-te por me teres ensinado amar! Ensinaste-me que as paixões podem ser fortes, intensas,e, que por vezes o amor também acontece, mas que por muito difícil que seja "o fim", ensinaste-me sobretudo que ninguém morre por amor. E se hoje sei amar, a ti também o devo!

Ensinaste-me que há amizades que são para sempre, é verdade... contigo também descobri que existe um para sempre.

Tenho saudades de ti sabes?

Hoje visitei-te, passei pelo Parque da Canção e os preparativos para mais uma Queima das Fitas já estavam avançados.

Deu-me um nó na garganta.. sei que vivi em ti todos os dias como se fossem os últimos, que não deixei nada por fazer, por dizer, por viver.

Mas tu continuas a viver em mim, o teu reflexo no rio continua em mim... Só não te ama quem não te conheceu, e que pena tenho de quem não te conheceu!

 

 

 

 

Obrigada Coimbra.

Maria Inês.

 

 

 

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