Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Maria Inês.

por Inês Saraiva

Maria Inês.

por Inês Saraiva

Da sorte de ter avós.

Da sorte de ter avós.

Ter avós é uma sorte, é uma sorte tão grande. Maior do que a nossa existência. E eu cresci com esta sorte! Já vos conto a minha sorte...

Cresci com a maravilhosa sorte de ter uma avó que foi a minha mãe, ensionou-me que devia ser forte, e humilde ao mesmo tempo. Ensinou-me que a vida é dura e que não devemos deixar de lutar, de amar.. e por falar em amor, amor foi o que ela mais me deu. A minha avó levava-me à escola, fazia-me o lanche... a minha avó era a minha mãe.

A minha avó cantava quando lavava a loiça, e mesmo velhinha ainda colocava creme antes de dormir! Cada ruga contava uma história, a  história de quem deu à luz doze filhos e viu morrer seis, a história de quem lutou para criar os filhos que Deus ainda lhe deixou, a história de quem pouco tinha, e do pouco que tinha muito era o que ela ajudava o próximo. 

Desta sorte ainda tive outra sorte, a sorte de ter um avô. Um avô exemplo! Um avô que ouviu com vibrar, pela rádio, o dia 25 de Abril de 1974. Nesse dia o trabalho na carpintaria parou, e, a única coisa que se ouvia era a rádio que dava conta de todos os movimentos revolucionários. O meu avô não era um revolucionário, longe disso! Mas aguardava o fim da miséria, que ele não vivia, mas que via à sua volta, o fim da opressão. Durante muito tempo ouvi-o dizer que Salazar fazia falta, e isto assustava-me! Mais tarde percebi que não era Salazar que fazia falta, mas sim os valores que o povo tinha, o amor à familia, que era sagrado, os valores que hoje praticamente não existem na sociedade em que vivemos, hoje compreendo quando o meu avô dizia que a liberdade não era libertinagem!

Foi com o meu avô que aprendi que a estrela que mais brilhava no céu era a Estrela Polar, e, que quando a Lua vai de barco chove! E não é que é verdade? 

Foi pela mão do meu avô que vi pela primeira vez o mar, que fiz a minha primeira bola de neve. O meu avô ensinou-me que sem traballho não hà frutos. O meu avô ensinou-me tanto, que este espaço é tão pequeno para tanto.

Pela sorte que eu tive, vos falo na sorte que é ter avós.

Hoje, quando falo da minha sorte, lembro-me da sorte que a crise trouxe, a sorte das nossas crianças crescerem com avós. Sim, foi a crise que trouxe esta sorte a quem não a tinha.

Outrora, as crianças ficavam nas creches, nos ATL´s, e por aí..também é certo que muitas ainda ficam, mas também é certo que outras passaram a crescer com a sorte de ter avós. A crise impediu milhares de pais de esquecerem os avós.

E estes largaram tudo para cuidar dos netos. Hoje, são os avós que vão levar os netos à escola, que os vão buscar. Que ajudam nos trabalhos de casa, que vão ao ballet, ao futebol, que estão sempre quando os pais não estão.

Porque os avós têm sempre tempo. Têm o que todas as crianças precisam, carinho, amor e tanto para ensinar. Os avós são autênticas enciclopédias com dentaduras!

Afinal a crise trouxe os avós de volta à luz da vida dos netos, e aposto que esta luz brilha muito mais! Infelizmente a crise existiu, existe, e, teve o seu "lado bom", os avós.

 

image.jpg

 

 

 

Da sorte de ter avós.

Maria Inês.

 

3 comentários

Comentar post