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Maria Inês.

por Inês Saraiva

Maria Inês.

por Inês Saraiva

Os Sobreviventes.

Há histórias que nos tocam particularmente, e, ás quais não podemos ficar indiferentes. No meu caso, nem consigo, desde em que foi transimita a reportagem da Sic sobre os sobreviventes da travessia do Mediterrânio, aqui, que nada do que vi e ouvi me sai da cabeça.

Entre outras frases, há uma dita por Hamad que me fez chorar, "tive a sorte de sobreviver!", esta criança lutou pela própria vida, quando ficou preso ao barco que estava afundar, viu pessoas arrancar coletes salva-vidas a outras, e, segundo ele era "matar ou viver", a verdadeira luta pela sobrevivência. E, hoje ligo a televisão e deparo-me com a notícia de que mais 700 vidas haviam sido tragicamente ceifadas. Um cenário, uma dor horrível, um sentimento de impotência tomou conta da minha alma!

Imagino, ou pelo menos tento, o sofrimento, o desespero destas pessoas que as leva arriscar a própria vida.

Depois, ouvimos histórias terríveis de cenários de guerra, de crime, de violência. E mais... de exploração! Sim, porque estas pessoas pagam (e pagam muito!) pela almejada viagem até á Europa. Quem tenta vir, vem com a alma carregada de sonhos, de esperança de uma vida melhor... e muitos encontram aquilo que os levou a fugir...a morte! É terrível não é?

Mesmo os que conseguem sobreviver passam pelo período de espera da possível decretação de asilo, e, os que têm a sorte ficam em centro de requerentes de asilo, onde as condições não são as melhores. Muitas vezes este quando este tempo de espera chega ao fim, o sonho também chega ao fim e o regresso á terra de onde fugiram é a única hipótese que lhes é colocada.

Há assuntos sobre os quais não falamos no nosso dia a dia, há histórias que não queremos ouvir, há relatos de sobreviventes que não lemos. Mas eles estão lá, a guerra continua a ceifar vidas inocentes,e.. em nome de quê?

Hoje morreram mais 700 pessoas, mas mais morrem todos os dias inocentemente, em nome de algo que não sabem o que é, nem o porquê de o estarem a viver. Eu também não sei... e vocês sabem?

Sabem que 900 pessoas perderam já a vida no Mediterrâneo este ano, quando tentavam chegar à Europa. Um número 50 vezes superior ao de igual período de 2014.

A Amnistia Internacional colaca a pergunta: “Quantas pessoas mais têm de morrer para os governos europeus reconhecerem que esta manta de retalhos de recursos não chega?".

A Amnistia Internacional relata-nos também que a morte no Mediterrâneo continua a aumentar vertiginosamente, provando aos governos europeus que falharam quando decidiram diminuir as capacidades de busca e salvamento, diz-nos que é urgente mudar as políticas de migração e asilo na Europa e proteger os migrantes no mar. 

Pede-nos para fazer a nossa parte, e eu estou a fazer a minha, uso o meu blog para gritar por aqueles cuja voz já não se pode ouvir.

Pelas pessoas que sofrem por uma guerra que não é deles.

Não podemos, não devemos ser/ficar indiferentes a estas mortes, a este sofrimento! Perdoem-me mas não consigo deitar-me e adormecer tranquilamente, este é o mundo em que eu vivo e eu desejo um mundo melhor.

 

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Maria Inês.