Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Maria Inês.

por Inês Saraiva

Maria Inês.

por Inês Saraiva

O Pátio das Cantigas.

O Pátio das Cantigas. A saga - Parte I.

 

Não, hoje não foi dia de O Pátio das Cantigas, foi mesmo no dia de estreia, dia 30 de Julho. No horrível cinema do Nortshopping, sim é verdade, detesto as salas de cinema do Nortshopping, no entanto por uma questão de comodismo (é o mais perto de casa), mantemos uma relação de amor-ódio. 

Considerações de espaço à parte, passemos ao filme que é o que interessa neste post. O filme começa por ser bom mesmo antes de entrar na sala, além do elenco fantástico que nos espera em 121 minutos de bom humor, oferece pipocas "feitas com bom milho português" (para devoradores acérrimos de pipocas, como eu, é a cereja no topo do bolo!ahah).

O filme, para os mais despercebidos é a nova versão, atualizada, da comédia portuguesa "O pátio das cantigas", realizada por Leonel Vieira. Mas mais do que isso, segundo palavras do realizador, e como a própria palavra indica é uma versão, o que com isto quer-se dizer que não é exactamente igual, uma verdadeira recriação do antigo filme, mas sim uma versão como se dos descendentes das personagens do antigo filme se tratasse.

O novo "O pátio das cantigas" faz parte de uma trilogia que Leonel Vieira produziu a partir de outros filmes que fizeram sucesso no cinema português: "O leão da Estrela" (1947), de Arhur Duarte, e "A Canção de Lisboa" (1933), de Cotinelli Telmo.

A comédia, rodada na Vila Berta, em Lisboa, mantêm o ambiente bairrista e popular do filme original, mas vejamos, o filme que é uma verdadeia comédia, não pode nunca e em caso algum ser comparado com o clássico de 1942, a verdadeira jóia da coroa da comédia portuguesa, não o façam! Enquanto o clássico é envolvido em piadas espirituosas, diálogos e trocadilhos sofisticados, esta nova versão por sua vez é carregada de um humor de mesa de café, de conversas fáceis e diálogos pouco "inteligentes", o filme no entanto representa um pouco mais do que é o quotidiano de hoje, é um filme engraçado no entanto, à medida que a acção se vai desenrolando, amores e desamores vão acontecendo, sem deixar grandes marcas, as conversas banais, a "porrada" tipica num bailarico de bairro também acontece, com alguns estrangeiros à mistura, uma sátira ou outra... mas tudo muito leve, superficial... ficamos sempre à espera de um pouco mais, que na verdade não vai acontecer. 

Por isso, o melhor é mesmo ir de espírito aberto para umas boas gargalhadas, onde "Em termos de reflectir os nossos tempos e a Lisboa de hoje, temos que neste “Pátio das Cantigas” o Evaristo é dono de uma mercearia “gourmet” e a filha dele uma “teen” estouvada, o Narciso guia um “tuk-tuk” e papa turistas em série, a Rosa é uma trintona boazona que vende sapatos e cozinha num “hostel”, a Amália quer ir cantar à televisão e ser “famosa”, há uns indianos e uma Loja do Ouro no bairro, umas cenas de cama tontas, a Maria da Graça que regressa do Brasil agora joga no clube da Ivete Sangalo, e por aqui ficamos no que à relevância contemporânea diz respeito." (como escreve Eurico de Barros, para o Jornal Obeservador, aqui, cujas palavras cito).

As críticas ao filme são várias, há quem tenha detestado a ideia de pegar num clássico e transfigurá-lo, há quem o tenha adorado, eu gostei. 

Aconselho o filme pelo bom momento e pelas gargalhadas partilhadas, só alerto para o facto de não caírmos no erro da comparação, afinal são 121 minutos de riso, e não de Vasco Santana no seu melhor, este é imortal e incomparável!

 

 

 

"Ó Evaristo? Mas o que é isto!"

Maria Inês.