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Maria Inês.

por Inês Saraiva

Maria Inês.

por Inês Saraiva

Quem te ama não te agride.. uma história.

Quem te ama não te agride... É este o slogan de mais uma campanha contra a violência no namoro. Este slogan faz-me viajar até ao crime de violência doméstica. E que viagem tão amarga. De todos os crimes de que somos susceptíveis de ser alvo, este é o que mais me assusta. São terríveis, as marcas que este crime deixa, e que o tempo nunca irá apagar. Quando escuto a palavra "violência doméstica" um nó ganha forma no meu estômago, a garganta fica seca, uma fúria cresce dentro de mim. Mas não, não sofri de violência doméstica, nem nunca o permitirei! Mas sofro indirectamente por cada  um que sofra com este crime em silêncio, num terrível silêncio, por cada marca que esta lhe deixou...

Cresce em mim uma revolta que nunca me irá abandonar, e pergunto-me como é possível o amor ganhar esta forma? Amor, sim amor... Porque o/a agressor/a amava-o/a com todo o seu ser, com toda a sua alma, dizem os agressores vezes sem conta.

Mas amor? Que amor é este que magoa, que destrói, que maltrata, que faz sofrer, que mata.. porque este amor também mata! Isto não é amor, não pode ser!

Mas ele tinha amor, por ela.. (dizem eles) Outras vezes ouvimos: "eles são de outra época, e isto é normal acontecer!" . Será normal?! Não! Não pode ser normal!

Para alguns é normal, é da época.. aos olhos de todos é triste, acontece, mas depois é normal. E os dias, os meses, anos vão passando, e, esta normalidade acompanha a vitíma sempre.

Alguns casos, acontece chegar o dia em que a vitíma também se torna agressora. Como se o jogo tivesse mudado e os papeís se tivessem invertido. Ela que sofria com agressões, tornou-se agressora, e o mundo começa a vê-la com outros olhos..

Revolta, insensatez, raiva, ódio, medo.. o culminar de todos os sentimentos, uma mistura explosiva de todos os sentimentos, de anos de violência, fazem da vitíma agressora. E, depois há dias em que tudo chega ao fim. Ou, supostamente há um fim..  Porque as marcas ficam para sempre... há quem as carregue para sempre... o tempo não as levou.... não as levará.

Este crime que cresce ao nosso lado e que nos culpam enquanto sociedade. Histórias que não deviam acontecer. Histórias que temos o dever cívico de denunciar!

 

Quem cala consente! Denúncie!

Maria Inês.